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Esclarecendo mitos sobre deficiência auditiva.

O que as pessoas imaginam sobre as pessoas surdas? A realidade:
(...) são mudas
  • Não é correto dizer que alguém é surdo-mudo. As pessoas surdas apresentam condições físicas e fisiológicas necessárias para falar. Algumas não falam porque não foram ensinadas, outras porque acham que a língua favorece a efetivação e a agilidade na comunicação, e outras ainda por opção.
(...) são muito nervosas
  • A utilização de gestos, da ênfase na expressão facial, do esforço para falar e da ausência do feedback auditivo (não escutam os sons que emitem), fazem com que os ouvintes imaginem que os surdos estão “nervosos”. Na realidade, estão somente se comunicando, ou tentando se comunicar. Ser nervoso não é uma característica da surdez.
(...) não escutam nada, ou escutam quando querem
  • Todo surdo pode escutar algum tipo de som. A maioria ouve sons de forte intensidade e graves (trovão, batida de porta). Assim como a visão, a audição também se efetiva em graus. Alguns surdos conseguem ouvir a voz e escutar a fala ao telefone. A impressão de que às vezes o surdo responde a sons e outras não, fazendo com que o ouvinte pense que “escutam quando querem” deve-se a alguns fatores: a distância da emissão do som, a freqüência da voz da pessoa que fala, o tipo de som (grave/agudo), a intensidade do som (forte/fraco) e também, o nível de atenção do surdo ao som emitido.
(...) que todas fazem leitura labial
  • A leitura labial não é uma habilidade natural, em todo surdo. Esta precisa ser ensinada, como se ensina leitura, escrita, etc. Poucas pessoas surdas fazem uma boa leitura labial (ler a posição dos lábios), Especialmente porque a pessoa ouvinte, ao se comunicar com um surdo, esquece-se da deficiência, vira-se para os lados, usa bigode, e isso atrapalha a visualização da boca do falante. A maioria faz o que se chama leitura da fala (visualização de toda fisionomia da pessoa que fala, incluindo sua expressão fisionômica e gestos espontâneos). Isto produz alguns problemas na comunicação. Uma minoria não consegue fazer nenhuma dessas leituras e só se comunica através de sinais, aprendidos no decorrer de sua história de vida familiar e social, ou mesmo através da Língua Brasileira de Sinais. Assim, não é verdadeiro que a leitura labial seja uma capacidade inata.
(...) têm um excelente poder de atenção e concentração, e não dispersam
  • Atenção e concentração também não são habilidades inerentes à condição de surdez. Na realidade os índices de atenção e concentração da pessoa surda apresentam-se no mesmo padrão encontrado em pessoas ouvintes.
  • Os ouvintes se equivocam nessa questão, ao acreditar que uma pessoa surda pode muitas vezes trabalhar em ambientes ruidosos, sem se dispersar da atividade que estão desenvolvendo.
  • Não se pode, entretanto, esquecer, que a experiência tem revelado que outros estímulos, não sonoros, também podem provocar a dispersão da atenção da pessoa surda.
(...) são infantis
  • A linguagem da pessoa surda desenvolve-se a partir do que ela percebe através dos sentidos não comprometidos. O fato de não ouvir resultará numa maneira diferente de ver e de se relacionar com o mundo.
  • Os elementos abstratos que compõem nossa língua e que dependem da audição para serem percebidos dificilmente serão compreendidos pelo surdo.
  • Os elementos concretos serão facilmente assimilados. Explicar o que é cadeira para o surdo é mais fácil, por exemplo, do que explicar o que é vergonha.
  • Ironias, piadas de ouvintes, muitas vezes não têm significado algum para o surdo. Enquanto nos comunicamos, estamos recebendo inúmeras informações, através da audição. O surdo não consegue apreender tão rapidamente as informações, porque:
    • não escuta
    • a Língua de Sinais não possui todos os significados da língua oral
    • a expressão escrita do surdo, geralmente segue as regras da língua de sinais e não a da língua portuguesa
  • O jeito infantil a que o ouvinte se refere está fundamentado, muitas vezes, pela avaliação que se faz do surdo como se os três itens acima não existissem.
  • As faltas de elementos lingüísticos, acessíveis somente ao mundo dos ouvintes, resultam numa compreensão e conseqüentemente a uma expressão que, para o ouvinte, se assemelha a uma expressão infantil.
  • Na realidade, somente apresentam um jeito diferente de se manifestar e comunicar!
(...) não escutam o alarme, em caso de incêndio
  • A maioria dos alarmes de incêndio apresenta níveis altíssimos de decibéis, garantindo o alerta também aos surdos. Caso isso não aconteça, provavelmente a movimentação dos funcionários, nessa situação, também os leve a tomar as ações necessárias de esquiva e de retirada. O ideal, entretanto, seria ter, acoplado ao alarme sonoro, a luz de alerta.
(...) devem ser identificadas através de uniformes com cores diferentes, para evitar acidentes, como por exemplo, ser atropeladas dentro da empresa
  • Não se dispõe de dados estatísticos quanto ao atropelamento de pessoas surdas numa empresa.
  • Quando atravessamos uma rua, ficamos mais atentos aos estímulos visuais, do que aos sonoros.
  • O atropelamento de funcionários por empilhadeiras, por exemplo, tem se relacionado à falta de treinamento, dos funcionários quanto às normas de segurança, ou ao desrespeito a essas normas.
  • Identificar o surdo através de uniformes diferentes é uma forma de discriminação.
(...) ficarão presas na empresa, em caso de “black-out” (por exemplo, no banheiro)
  • Em caso de falta de energia elétrica, o surdo, que não é cego, certamente perceberá que algo diferente está acontecendo e procurará saber do que se trata.
  • Se estiver dentro do banheiro, não escutará avisos, mas perceberá a falta da eletricidade.
  • De qualquer forma, é no treinamento dos funcionários, quanto a como agir em situações de emergência, que se deverá ensinar os procedimentos a serem seguidos.

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