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Deficientes, inclusão de deficientes, artigos sobre deficientes

 

 

 Vera Lúcia  

    Vera Lucia
    é pedagoga e atua como vice diretora educacional de uma escola pública. Tornou-se uma pessoa com deficiência devido a um acidente na infância. Está na luta por uma inclusão de qualidade e mantém o blog Deficiente CienteGraduação UNIDERP,  curso  Fisioterapia
Colunista Deficiente Online.


Não desanime, siga em frente!


Após a amputação do meu braço, ainda internada no hospital, sentia uma imensa necessidade de que as pessoas demonstrassem carinho e me encorajassem. Acredito que todo ser humano precisa dessas demonstrações, entretanto quando você se torna uma pessoa com deficiência essa necessidade é ainda muito maior.
 
 O período após a amputação foi muito difícil para mim. Havia momentos em que me sentia muito bem, em outros me sentia muito deprimida. Porém, bastavam algumas palavras de encorajamento, seja por parte da minha mãe, por parte de amigos ou profissionais do hospital, meu ânimo e minha esperança voltavam.
 
 Certa vez, meus colegas de classe e minha professora foram me visitar no hospital e quando os vi, fiquei muito feliz. Minha professora foi uma das pessoas que mais me incentivou. No dia em que ela foi me visitar, levou um caderno para que eu treinasse minha caligrafia. Como eu era destra, precisei aprender a escrever com a mão esquerda, houve uma inversão na posição do meu cérebro. Treinei tanto nesse caderno, que por fim, minha letra ficou parecida com a de antes. Há quem diga que minha caligrafia ficou melhor.
 Os enfermeiros do hospital me deram muita força e coragem, entretanto, duas enfermeiras eram meu "porto seguro". Elas alegravam sempre o meu dia com músicas, brincadeiras e de vez em quando me levavam uma comidinha especial. Havia também, um enfermeiro que era muito divertido e bem humorado. Era impossível ficar ao lado dele sem sorrir. Sou muito grata a todas essas pessoas.
 
 Fiz muitas amizades no hospital e também encorajei algumas pessoas. Houve um dia que uma das enfermeiras me relatou, que uma senhora que estava internada no quarto ao lado do meu, chorava muito e estava deprimida. Segundo a enfermeira, ela sofreu um acidente e um dos seus dedos foi amputado. A enfermeira me disse que eu era uma pessoa muito corajosa e me pediu para que eu visitasse essa senhora a fim de animá-la. Concordei prontamente. Como eu não podia andar porque minha perna estava engessada, arrumaram uma cadeira de rodas e lá fui eu visitar a senhora. Lembro-me como se fosse hoje: assim que entrei no quarto, ela me deu um leve sorriso e depois começou a chorar. Conversei muito com ela, ouvi toda sua história e depois contei a minha. Depois de alguns minutos essa senhora olhou no fundo dos meus olhos e disse que não ficaria mais triste e seguiria sua vida. Quando ela terminou de falar essas palavras, me senti tão feliz. Percebi que além de receber palavras de coragem e de incentivo de algumas pessoas, também poderia encorajar outras.
 
 O carinho, o incentivo e o elogio sincero, foram fundamentais para a minha readaptação e para a nova fase da minha vida. Esses incentivos fizeram com que eu tivesse ânimo para superar a minha nova condição e resgatar a minha autoestima. Cada vez que eu ouvia uma palavra de encorajamento ou um elogio, surgia em mim uma vontade imensa de superar minhas dificuldades e até o tamanho dos meus problemas diminuíam. O Dr. Rene Spitz, psicólogo de Nova York, diz que: “A inanição emocional é tão perigosa quanto a física.”
 Tanto minha família quanto as pessoas do hospital, meus amigos, minha professora, todos tiveram um papel importante. Todos foram pessoas-chave naquele exato momento da minha história de vida. Acredito que quando Deus os colocou no meu caminho, Ele sabia o quanto eu precisaria de todos eles.
 
 O teólogo William Barclay escreveu com muito discernimento quando disse que: “um dos mais elevados deveres humanos é o dever do encorajamento... É fácil rir dos ideais dos homens; é fácil despejar água fria no seu entusiasmo; é fácil desencorajar os outros. O mundo está cheio de desencorajadores. Temos o dever de encorajar-nos uns aos outros. Muitas vezes uma palavra de reconhecimento, ou de apreço, ou de ânimo tem mantido um homem em pé.”
 
 Agradeço sempre a Deus por todas as pessoas que me encorajaram e pelos que ainda estão me encorajando.
 Caro leitor, não fique em silêncio diante de uma pessoa que necessita de uma única palavra de ânimo ou elogio. Lembre-se que essa única palavra pode mudar a trajetória de vida dessa pessoa.

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